Gothic Ocultismo Literatura Música Guestbook Parcerias Contato



Sou suspeito para falar sobre esse jogo, pois, na minha modesta opinião, é um dos melhores e mais horripilantes jogos da história. E digo mais! É um dos melhores e mais horripilantes “filmes” de terror oriental de todos os tempos. Como assim, filme? Jogar FF2 é praticamente uma imersão total na história. Gráficos perfeitos, efeitos sonoros idem...É cinematográfico! Só para saber. O jogo não é uma seqüência direta do Fatal Frame. É mais um prequel, pois se passa 30 anos antes, em 1950. Logo no início somos apresentados a duas irmãs gêmeas, Mio e Mayu Akamura. Elas estão num bosque sentadas quando Mayu (manca desde um acidente na infância) persegue uma borboleta vermelha quase hipnoticamente e acaba se afastando. Mio, preocupada com a irmã, a segue até uma estranha vila com aspecto abandonado. Elas encontram a All God’s Village.

Nesse momento assistimos uns flashes onde podemos ver uma espécie de ritual japonês esquisito e muitos corpos. Rapidamente entendemos onde estamos nos metendo. Claramente percebemos que algo deu errado no ritual. Aos poucos a história da vila vai sendo revelada através de livros empoeirados e cartas rasgadas. Descobrimos que o ritual que vimos no início envolvia duas gêmeas sendo que a mais velha deveria matar a mais nova. Um ritual tão proibido e perigoso que não deve nem ser nomeado. Não era a primeira vez que ele foi realizado. O sobrevivente do ritual anterior alertou as gêmeas do seu futuro e elas tentaram fugir. Infelizmente a mais nova torceu o pé na fuga e a mais velha não voltou para ajudar (numa cena parecida a que levou a Mayu a mancar). Os aldeões resolveram contar com o que tinham: enforcaram a gêmea restante e jogaram no buraco do sacrifício. O espírito maligno a quem era destinado o ritual não gostou nada da mudança e devolveu a irmã possuída por uma força descomunal, matou todos os moradores e amaldiçoou a vila. Seus espíritos vagam pelos arredores esperando uma chance de realizar o ritual da forma correta...Aí é que entra o papel das duas novas gêmeas. A medida em que exploram, Mayu começa a agir de forma estranha, falando coisas desconexas e vendo imagens que Mio não consegue enxergar. Tudo piora no momento em que elas encontram uma estranha câmera fotográfica deixada num quarto empoeirado pela última pessoa que se aventurou pela vila. É a famosa Câmera Obscura, já conhecida do primeiro jogo da série.

Neste momento os espíritos enfurecidos passam a atacá-las, Mayu desaparece e Mio se vê sozinha e sem armas para enfrentar a situação...Quer dizer, sem armas, não. Ela acidentalmente acaba descobrindo que, ao fotografar o espírito, o mesmo é repelido. Então, com a câmera em mãos, Mio passa a missão de sobrevivência e resgate da irmã antes que seja tarde demais. É talvez o único ponto do jogo em que você não dá uma nota máxima. Não que seja ruim, mas pode ser confuso para jogadores menos experientes. A movimentação em terceira pessoa é semelhante a jogos como Resident Evil ou Silent Hill. Se você já está acostumado, não tem o que se preocupar. O problema é a visão em primeira pessoa quando você aciona a câmera. Aí, sim, é preciso um pouco mais de habilidade. Principalmente por que você não tem muito tempo para pensar. Tem um fantasma vindo em sua direção e você tem que fotografá-lo para feri-lo. E quando mais perto ele estiver, maior o dano. Então o jogo te força a encarar seus medos e deixar o fantasma chegar bem próximo. Garanto que não é nada agradável. É ainda mais difícil quando você precisa enfrentar mais de um espectro. E isso não é muito incomum no jogo. Importante lembrar também que a “munição”, ou seja, os filmes fotográficos, não são ilimitados. Então não adianta sair fotografando tudo o que aparece na frente. Se o filme acabar, não tem como repor. É game over na certa!

Recomendo que você treine bastante a visão com a câmera em situações sem batalhas. Ainda mais por que a lente da Câmera Obscura pode revelar imagens que não são possíveis de enxergar ao olho nu. Esse modo de visão vai ser muito importante, pois ao visualizar uma foto de uma determinada porta trancada, por exemplo, aparece a imagem do item necessário para destrancá-la. O jogo alterna dois tipos de situações. Você pode estar acompanhado ou não da irmã. Na primeira situação ela te segue com andar claudicante e você deve protegê-la. É angustiante! Você não pode correr já que Mayu não consegue te acompanhar. Ela, de vez em quando, solta umas frases sem sentido ou olha assustada para algum lugar...E não tem nada por lá! Na segunda situação, sozinha, você se sente mais livre. É possível correr sem olhar para trás. Em compensação, sua missão nesses casos é justamente encontrá-la. Acho que nem preciso comentar. É só ver as imagens. FF2 é um dos jogos com os mais belos gráficos já feitos para o PS2. Praticamente arranca tudo o que o console consegue produzir. E mesmo com imagens tão belas, o jogo flui normalmente, sem interrupções ou lags. Os detalhes das expressões faciais são limpos e os fantasmas são realmente aterrorizantes. Você nota que os produtores capricharam até não poder mais. Sombras, cortinas balançando, cabelos esvoaçantes...A mudança da visão em terceira pessoa para primeira, no uso da câmera fotográfica é espetacular e contribui para manter a jogabilidade. O jogo é tão belo de ser ver que passa a ser tão interessante para quem assiste quanto para quem joga.

Com tanta coisa boa junta, eles não pecariam logo neste quesito. O som de FF2 é impecável. Não existe música durante a ação. Apenas som ambiente. E que som, diga-se de passagem! Tudo o que você imaginar de assustador está presente: Choros, gemidos, portas batendo, vidro quebrando, gritos, ventanias...E tudo na hora certa mantendo uma atmosfera de constante pavor. Os sustos provocados são na medida certa. Aliás, até passam da medida. Em determinado momento do jogo Mio está calmamente andando pela casa quando um grito desesperado surge no meio do nada e vemos uma mulher caindo na nossa frente e quebrando o pescoço. O som nesse momento é tão arrepiante que nos faz largar o controle. Não precisa nem dizer que essa tal mulher é um espírito de uma suicida que sempre repete este ato antes de te perseguir.

Você pode escolher o nível de dificuldade do jogo. Quanto maior o nível, menor a possibilidade de encontrar itens como filmes e energia. Mio e Mayu também sofrem maior dano ao serem agredidas por um fantasma em níveis mais altos. Já o dano que você causa neles é inversamente proporcional. A câmera Obscura também deve ser utilizada de forma correta para facilitar. À medida que o jogo segue, você pode incrementar a máquina com lentes diferentes e fazer upgrade das suas funções. Para tanto é necessário adquirir pontos. Você os consegue a cada foto útil que tira, seja durante o ataque a fantasmas ou quando flagra um espírito em alguma ação. De vez em quando vemos um espectro não agressivo em algum lugar e devemos ser rápidos para fotografá-lo, pois eles somem rapidamente. Essas fotos valem muitos pontos extras. À medida que você leva porrada, começa a andar devagar e ofegante. Isso também dificulta uma possível fuga. No final do jogo você tem uma escolha a fazer. Ou se manda da vila sem a irmã, repetindo o erro no ritual que aconteceu no passado, ou encara seus medos e detona tudo para salvar a Mayu. Obviamente a primeira opção é mais fácil. O final também é diferente nas duas opções. Vale a pena tentar as duas formas. Como de costume nesse tipo de jogo, nos momentos mais críticos sempre tem um ponto para salvar o progresso. Eles são simbolizados por uma lanterna japonesa. Sugestão: Se o ponto está lá...Use! .

O jogo é da empresa Tecmo e foi lançado no fim de 2003. Além da versão do Playstation 2, foi feito uma para o Xbox. Até o momento a série Fatal Frame é composta de 3 jogos. Cronologicamente o FF2 é o primeiro, em seguida o FF1 culminando com o FF3 que explica a ligação entre eles. Como dito anteriormente, o jogo é terror puro. Jogar qualquer um dos Fatal Frame é uma experiência única. Quem passa não esquece. O nível de horror e medo é extremo e desafio alguém a jogar no escuro, sozinho e com fones de ouvido. Se você conseguir fazer isso e não parar de jogar por pavor...Parabéns!